terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Da física à sociologia, sempre caótico.


Este texto não é bem trabalhado, é um one-shot meu, sendo que pode aparentar quebra da coesão, mas a ideia está aqui, achei interessante compartilhá-la.

Semelhanças não são meras coincidências

Podemos retomar a estória de Hari Seldon, ora psico-historiógrafo ora por psicólogo, o que importa é a visão de Isaac Asimov sobre essa questão. Para Isaac, ou pelo menos o que se evidencia em sua romance “A Fundação”, a psicologia humana é tão próxima a física quântica que podemos comparar. Será complicado deveras explicar essa proximidade sem bases profundas, ou consideráveis, neste campo complexo da física.
Hari Seldon tido como o corvo por prever desgraças ou crises em seu planeta, baseado na psicologia de populações para conseguir variáveis que criem uma função que indique o caminho de uma população, mas não 100%, com probabilidades, esta é a chave, não há constância em suas “previsões”. Segundo Hari, não se pode utilizar este tipo de cálculo em apenas uma pessoa isolada, pois a mesma não se submete à psicologia de população. Ao se aproximar cada vez mais do quântico, se depara com inúmeras variáveis, uma complexidade maior e probabilidades mais variadas sem saber ao certo o que é mais “provável”.
Trocaremos as pessoas por elétrons, e usaremos um exemplo simples: Imagine um nó em um circuito elétrico, sendo os fios ideais, e no caminho A os elétrons não encontram resistência, no caminho B há uma resistência considerável, se usarmos um número grande de elétrons, podemos afirmar que o mais provável é que se siga o caminho A, mas existem os que irão pelo B. Por isso a psicologia de população não se aplica a um indivíduo como um pensamento deste não se aplica a um elétron.
Em suma, o que une o comportamento imprevisível de um humano é o comportamento imprevisível da quântica, é um axioma, se há esta semelhança primordial, conseguiremos abstrair o resto. O meu ponto chave é este elo perdido desde o iluminismo, que ao romperem por questões didáticas, o aluno não conseguiu mais com o tempo unir estas ciências. Ao haver o descaso com a filosofia não se pode mais desenvolver no aluno a capacidade de perceber a nítida ligação das ciências que para ele se resumem à três campos distintos: Humanas, Exatas e Biológicas.
A Imprevisibilidade e o caos são marcas que se unem nos campos que exemplifico para você, agora me vem o importante que espero que aconteça a você: Qual a importância de saber essa ligação?
A importância é que ao mostrar essa ligação, muitas outras ligações se mostrarão para você entre idéias que antes pareciam impossíveis de se associar, a verdadeira filosofia, a parte humana da física, o caos e a imprevisibilidade, a morte de constantes e conseguintemente a quebra da visão linear da história, a quebra da ilusão de tempo e a percepção de que medidas são humanas e não naturais.
Não quero ainda que siga este meu parágrafo na mesma velocidade que lê, quero que o mesmo parágrafo seja revisto até ser compreendido, item por item.

Quero que entenda a minha proposta de assassínio do iluminismo, o qual parte do essencialismo de Platão, o qual consiste em adaptar a teoria à realidade, assumir de pés juntos que existem constantes dentro do universo. Isso se aplica a tudo que aprenda na escola, em todas as matérias.
Proponho o antagonismo do essencialismo, o existencialismo, não mais a colocação de uma constante para localizar uma expressão cheia de variáveis, não assumir que uma pessoa que tenha sido criada por pais homoafetivos seja necessariamente homossexual, abolição do determinismo e adotar o caos e a imprevisibilidade, ter consciência dos inúmeros caminhos e à partir do momento exato saber como pensar/agir.
O aluno que é incapaz de conceber a importância universal, que incluir em suas raízes que conhecimento acadêmico é uma área e não uma vida, jamais conseguirá sair das limitações do que lê. Ou seja, se torna uma mão de obra iluminista, um trabalhador especializado à serviço do sistema, não é melhor do que ninguém, seu dinheiro de nada vale, pois não preenche o vazio que a criatividade deveria ocupar. Todos têm de ter criatividade.

Um comentário:

  1. Só pelo fato de ter falado de "Fundação", suspirei ao ler essa postagem. Ao todo, achei sensacional. Continue, Vítor, não desista do blog!

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