segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Uma Crônica para variar

Adaptação do Humano Urbanóide

Através de eras, nós nos adaptamos para melhor sobrevivência e convivência para com a nossa própria sociedade, aos poucos nos formatamos para melhor raciocínio de grupo, individual, espiritual, etc. Nosso sistema biológico dispõe de algo que apenas a nossa espécie detêm: sistema nervoso, um núcleo que comanda, sem a nossa conscientização, tudo o que se pode entender-se de vida.
Infelizmente, o humano andou por um caminho contrário à sua natureza, caminhou para o individualismo, tentando se alojar em pequenos espaços, ocupar a memória por imagens que o ego sempre esteja presente, que controle tudo, sua marca registrada em 100% da vida, não deve haver a predominância outro apenas, deve necessariamente haver o ego próprio sobre a situação, segundo o humano urbanóide. Não obstante, o corpo humano não é nem 20% dominado pelo consciente (ego), há 90% em média de poder desconhecido, um poder que pode sempre aparecer para mostrar quem manda, que pode inclusive comandar o nosso próprio ego por motivos maquiavélicos, ou apenas está sempre tentando nos devolver ao instinto de comunidade.
O Urbanóide, movido pela arrogância, se convence que pode enganar o instinto, domina a teoria da evolução, sintetiza desde Darwin à Jung, combina o empirismo físico de Lorentz, une teorias de segundos do dia da vida terrestre, cria um anexo nervoso eletricamente sincronizado, externo ao corpo, mas de penetração ondulatória capaz de retardar o poderio mental do inconsciente, como uma barata amedronta um humano, o consciente amedronta o inconsciente, fazendo esse evitar aquele, individualizando o animal racional...quimeras da alienação.
Quem dera isto ter realmente um poder assim como o consciente pensa, esquece-se que ele luta contra um biossistema milenar, oculto e maquiavélico. É o que se conhece de Deus, ou devemos considerar a possibilidade de que Ele pode não gostar de nós?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bolsa-esmola?

Achei cômodo postar esse artigo que está circulando pela internet, acho um ótimo exemplo de pura energia cinética que algumas formas de carbono necessitam.


Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.



sábado, 2 de outubro de 2010

Le état c'est lui?


Diante de comentários típicos de época eleitoral: “O presidente só fala, mas não faz”, “No fim, fez metade do que disse”, “Se fosse verdade, o nordeste não estaria ruim, culpa de x medida”, penso no que realmente é o presidente para a pessoa, uma vez que a pessoa fala apenas de um presidente, nunca, ou pelo menos é raro, ouvir e ver uma discussão na rua em relação a deputados ou senadores e suas propostas (com exceção de escândalos nacionais).
A imagem que o presidente passa é de uma pessoa disposta a governar o país com as próprias mãos, suas palavras se refletem no país, tal como, o velho pai, Vargas. Talvez seja a nossa jovem democracia que justifique esta inexperiência do povo brasileiro, de ainda carregar o modelo paternalista como avaliação de candidatos (exclusivamente presidenciais, quero deixar claro), alentada ao desconhecimento do sistema republicano presidencial (não vou dar uma mini-aula, considero os leitores cientes do que falo).
Ora, “imperador” pode ser uma palavra forte, mas me refiro ao sistema que as pessoas têm em mente sobre o governo brasileiro, o qual é centralizado em apenas uma pessoa, de um único partido, como se realmente fosse uma ditadura. O que acho pessoalmente bizarro ouvir isto, uma vez que temos várias vagas, com diversos partidos representados nas câmaras, logo, dizer que tudo é resultado de propostas de um único partido, além de ser ingênuo, dificulta o desenvolvimento de um diálogo.
Portanto, as propostas do candidato a presidente tem ainda de passar pela mão de vários partidos.

Sentiu o tapa na cara, ou ainda está dormente pela droga?
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